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Canetas e remédios

Remédios para emagrecer em comprimido: o que existe no Brasil

Três comprimidos são aprovados para obesidade no Brasil: orlistate, sibutramina e naltrexona com bupropiona. Veja o que cada um faz e o que não é aprovado.

Revisão médicaDr. Lucas Tadeu MouraEndocrinologista · CRM-SP 125.324 · RQE 36687 · RQE 36686

Revisado em 02 de outubro de 2026
7 min de leitura · 7 referências

Homem de cerca de 40 anos numa trilha de montanha com mochila

Resposta curta

No Brasil, três remédios em comprimido têm aprovação da Anvisa para tratar obesidade: orlistate, sibutramina e a combinação de naltrexona com bupropiona. Todos levam a uma perda de peso menor que a das canetas mais potentes e têm contraindicações próprias. Anfepramona, femproporex e mazindol não são permitidos, e fórmulas manipuladas para emagrecer não são recomendadas pelas sociedades médicas.

O que é aprovado para obesidade no Brasil

A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada pela ABESO em 2026, lista seis remédios aprovados no país para tratar obesidade 1:

  • em comprimido: orlistate, sibutramina e a combinação naltrexona com bupropiona;
  • injetáveis: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

A diretriz recomenda tratamento com remédio para adultos com IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com alguma complicação ligada ao excesso de peso, sempre junto com mudanças no estilo de vida 1. Quem indica e acompanha é o médico.

Se você quer entender por que a obesidade é tratada como doença crônica, leia obesidade é doença.

Quanto cada remédio ajuda, comparado com o placebo

A diretriz agrupa os remédios pela potência, isto é, pela perda de peso média a mais do que a obtida com placebo 1:

PotênciaRemédioForma
Muito baixa (menos de 4%)OrlistateComprimido
Baixa a média (4% a 9,9%)SibutraminaComprimido
Baixa a média (4% a 9,9%)Naltrexona com bupropionaComprimido
Baixa a média (4% a 9,9%)LiraglutidaInjetável diário
Alta (10% ou mais)SemaglutidaInjetável semanal
Alta (10% ou mais)TirzepatidaInjetável semanal

Fonte: ABESO 2026, com base em análise de estudos randomizados 1.

Números são médias. Algumas pessoas respondem bem a um remédio de menor potência, e outras não respondem a nenhum. A diretriz orienta considerar os remédios de alta potência sempre que possível e, quando eles não forem viáveis, escolher entre os demais conforme outras doenças, segurança, tolerância, forma de uso, custo e contraindicações 1.

Orlistate

Como age

O orlistate é tomado junto das refeições que contêm gordura e reduz a absorção dessa gordura pelo intestino 1.

O que os estudos mostram

  • Em análise de 16 estudos com 10.631 pessoas, por pelo menos 1 ano, a perda de peso foi 2,9% maior que com placebo 1.
  • No estudo XENDOS, 3.305 adultos com obesidade foram acompanhados por 4 anos. O diabetes tipo 2 apareceu em 6,2% do grupo orlistate e em 9,0% do grupo placebo, e o efeito foi visto nas pessoas que já tinham tolerância à glicose alterada 2.

Efeitos e cuidados

Os efeitos mais comuns são gastrointestinais: fezes gordurosas, urgência para evacuar e manchas oleosas 1. Ocorrem em 15% a 30% das pessoas e levam mais gente a parar o tratamento 1. A diretriz recomenda suplementar com polivitamínico, porque o remédio pode reduzir vitaminas que dependem de gordura para ser absorvidas 1.

Sibutramina

Como age

A sibutramina é um inibidor de apetite, do mesmo grupo de substâncias anorexígenas que a lei de 2017 tentou liberar 5. Por isso, é vendida sob controle especial 4.

O que os estudos mostram

Em análise de 10 estudos com 2.623 pessoas, por pelo menos 1 ano, a perda média foi 4,2 kg maior que com placebo 1. Também houve aumento médio da pressão arterial e de 4,5 batimentos por minuto na frequência cardíaca 1.

O estudo SCOUT acompanhou, por cerca de 3,4 anos, 9.804 pessoas com 55 anos ou mais que já tinham doença cardiovascular, diabetes tipo 2 ou ambos. O risco de infarto e derrame não fatais foi maior com sibutramina, sem aumento de mortes 3.

Regras no Brasil

Depois do SCOUT, a sibutramina saiu do mercado em vários países. No Brasil, a Anvisa manteve o registro e reforçou as contraindicações para pessoas com perfil parecido com o dos participantes do estudo: doença cardiovascular ou cerebrovascular, e diabetes tipo 2 com pelo menos mais um fator de risco cardiovascular 1. A diretriz da ABESO não recomenda o remédio nessas situações 1.

A compra exige Notificação de Receita B2 e termo de responsabilidade assinado pelo médico 4. O termo prevê contraindicação para quem tem IMC abaixo de 30 4.

Efeitos como insônia, náusea, boca seca e prisão de ventre foram relatados por 7% a 20% das pessoas 1.

Naltrexona com bupropiona

Como age

É a combinação de dois remédios já usados em outras situações: a naltrexona e a bupropiona, um antidepressivo. Juntas, podem reduzir a vontade intensa de comer e melhorar o controle sobre a alimentação 1.

O que os estudos mostram

Em 1 ano, a perda de peso foi, em média, 5 kg maior que com placebo. Cerca de 55% das pessoas perderam pelo menos 5% do peso, e 30% perderam pelo menos 10% 1.

Efeitos e cuidados

Os efeitos mais comuns são náusea, dor de cabeça, prisão de ventre, tontura, vômitos e boca seca 1. A taxa de abandono foi cerca de 2,5 vezes maior que com placebo 1. A combinação tem mais contraindicações que a liraglutida 1. A bupropiona não deve ser usada por quem tem epilepsia, bulimia ou anorexia nervosa, pressão alta não controlada ou usa inibidores da MAO, um tipo de antidepressivo 1.

E a semaglutida em comprimido?

A semaglutida também existe em comprimido no Brasil. Na bula, a indicação é para adultos com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado 7. Na data desta revisão, as formas de semaglutida com indicação para obesidade no país eram injetáveis 1.

As canetas aprovadas estão explicadas no guia completo das canetas para emagrecer e em liraglutida: ainda faz sentido?.

O que não é aprovado

Anfepramona, femproporex e mazindol

Esses três inibidores de apetite foram proibidos pela Anvisa em 2011 5. Em 2017, a Lei nº 13.454 tentou autorizar a produção e a venda deles e da sibutramina. Em outubro de 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou a lei inconstitucional, por 7 votos a 3 5. Na ocasião, a Anvisa afirmou que não havia novos dados ou estudos favoráveis ao uso desses produtos 6.

Fentermina com topiramato

A combinação é usada em outros países, mas não tem aprovação no Brasil 1.

Remédios usados fora da bula

Alguns remédios aprovados para outras doenças causam perda de peso e às vezes são usados fora da bula. A diretriz da ABESO só admite esse uso quando os tratamentos aprovados não são possíveis e quando há estudos de boa qualidade mostrando eficácia e segurança na obesidade 1.

  • Topiramato: remédio para epilepsia e enxaqueca. É o que tem melhores evidências entre os não aprovados para obesidade, mas pode causar formigamento, alteração do paladar e dificuldade de memória, e traz risco para o bebê na gravidez 1.
  • Metformina: usada no diabetes, leva a uma perda de peso modesta e não foi aprovada para tratar obesidade 1.

Fórmulas manipuladas

A diretriz da ABESO de 2026 não recomenda fórmulas magistrais ou produtos manipulados para obesidade, incluindo misturas com diuréticos, hormônio da tireoide e esteroides anabolizantes 1. Em geral, essas fórmulas não têm eficácia e segurança comprovadas em estudos nem seguem padrões adequados de controle de qualidade 1.

O mesmo vale, com riscos ainda maiores, para canetas manipuladas ou contrabandeadas. Veja caneta manipulada ou do Paraguai.

Comprimido ou caneta?

Os comprimidos aprovados levam, em média, a uma perda de peso menor que a das canetas de alta potência 1. Eles podem ser opção para quem não pode ou não quer usar injeção, para quem não tem acesso a elas ou quando há motivo clínico para escolher um deles. A diretriz também admite combinar remédios quando a resposta é insuficiente 1.

Em qualquer caso, o remédio funciona enquanto é usado. A diretriz recomenda o tratamento também para manter o peso perdido, com reavaliações periódicas 1. Entenda por que isso acontece em por que é tão difícil emagrecer.

Quando procurar o médico

  • Se você quer começar um tratamento com remédio para obesidade.
  • Antes de tomar qualquer remédio para emagrecer indicado por conhecido, academia ou internet.
  • Se você usa sibutramina e tem pressão alta, doença do coração ou diabetes.
  • Se tiver palpitação, pressão alta ou mudança importante de humor durante o tratamento.
  • Se você está grávida, amamentando ou planejando engravidar e usa algum desses remédios.

Perguntas frequentes

Qual remédio para emagrecer em comprimido é aprovado pela Anvisa?

Para tratar obesidade, a diretriz brasileira de 2026 lista três comprimidos aprovados: orlistate, sibutramina e naltrexona com bupropiona. As outras opções aprovadas são injetáveis: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

Sibutramina ainda é vendida no Brasil?

Sim. A Anvisa manteve o registro, com contraindicação para pessoas com doença cardiovascular ou cerebrovascular e para quem tem diabetes tipo 2 com outro fator de risco cardiovascular. A venda exige Notificação de Receita B2 e termo de responsabilidade assinado pelo médico.

Existe semaglutida em comprimido para emagrecer no Brasil?

A semaglutida em comprimido registrada no Brasil tem, na bula, indicação para adultos com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado. Na data desta revisão, a indicação para obesidade no país era das formas injetáveis.

Anfepramona, femproporex e mazindol são permitidos?

Não. A Anvisa proibiu essas substâncias em 2011. Uma lei de 2017 tentou liberá-las, mas o Supremo Tribunal Federal a declarou inconstitucional em outubro de 2021.

Fórmula manipulada para emagrecer funciona?

A diretriz da ABESO de 2026 não recomenda fórmulas manipuladas para obesidade, incluindo as que contêm diuréticos ou hormônio da tireoide. Em geral, elas não têm eficácia e segurança comprovadas em estudos nem seguem padrões adequados de controle de qualidade.

Comprimido ou caneta: qual é melhor?

Não existe um melhor para todos. As canetas de semaglutida e tirzepatida levam a uma perda de peso maior, e os comprimidos podem ser opção quando elas não são viáveis. A escolha considera outras doenças, contraindicações, tolerância, forma de uso e custo, em conversa com o médico.

Referências

  1. 1.Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026. ABESO, 2026.
  2. 2.XENical in the prevention of Diabetes in Obese Subjects (XENDOS) study: a randomized study of orlistat as an adjunct to lifestyle changes for the prevention of type 2 diabetes. Diabetes Care, 2004.
  3. 3.Effect of Sibutramine on Cardiovascular Outcomes in Overweight and Obese Subjects (SCOUT). New England Journal of Medicine, 2010.
  4. 4.Resolução RDC nº 50, de 25 de setembro de 2014. LegisWeb (texto da norma da Anvisa), 2014.
  5. 5.STF derruba lei que liberava venda de remédios para emagrecer. Agência Brasil, 2021.
  6. 6.Decisão do STF sobre a constitucionalidade da Lei 13.454/2017 (sobre anorexígenos). Anvisa, 2021.
  7. 7.Rybelsus (semaglutida oral): bula para o profissional de saúde. Novo Nordisk / bula aprovada pela Anvisa.

Conteúdo educativo, sem patrocínio. Não substitui consulta: diagnóstico, prescrição e ajuste de dose são decisões do médico que acompanha você. Revisado por Dr. Lucas Tadeu Moura (CRM-SP 125.324 · RQE 36687 · RQE 36686) em 02 de outubro de 2026. Atualizado em 25 de setembro de 2026.